Português
 
 


História da Alemanha - De 1945 até hoje

Orientação depois de 1945.

Após a capitulação incondicional das tropas alemãs, nos dias 8 e 9 de maio de 1945, o último governo do "Reich", encabeçado pelo almirante-mor Dönitz, ainda ficou duas semanas no cargo. Todos os seus integrantes foram detidos. Mais tarde, junto com outros altos funcionários da ditadura nazista, eles foram levados pelos aliados ao Tribunal de Nurembergue e acusados de crimes perpetrados contra a paz e a humanidade.

No dia 5 de junho, as potências vencedoras - EUA, Grã-Bretanha, União Soviética e França - assumiram o supremo poder no território do "Reich". Sua meta principal era estabelecer o pleno poder de disposição sobre a Alemanha, segundo o Protocolo de Londres (12 de setembro de 1944) e os acordos dele decorrentes. A base dessa política consistia em dividir o país em três zonas de ocupação, com a capital Berlim tripartida e regida por um conselho controlador integrado pelos três comandantes-chefes.

Na Conferência de Yalta (Criméia), de fevereiro de 1945, a França foi acolhida no círculo dos "Três Grandes" como quarta potência controladora, sendo-lhe destinada uma zona própria de ocupação. Foi acertada uma indenização territorial para a Polônia, em detrimento da Alemanha; ainda houve dissensão sobre o traçado exato da linha de fronteira. As três potências lograram acordo a respeito de uma "Declaração sobre a Europa Libertada", na qual estava prevista para os países da Europa central e oriental a formação de governos de transição "em amplas bases democráticas" e a realização de eleições livres dentro em breve; porém, essa declaração de intenções não foi cumprida posteriormente pela União Soviética, desejosa de formar à sua volta um "cordon sanitaire" de países aliados dos soviéticos.

Churchill (Grâ-Bretanha), Roosevelt (EUA) e Stalin (União Soviética), na Conferência de Yalta

Para a Alemanha, voltou a ser confirmado basicamente o projeto de divisão em diversos países, apresentado à discussão por Stalin em 1941, sem que se pudesse chegar a um acordo sobre a realização prática do plano. Por razões políticas e econômicas, os planos de retalhação foram abandonados nos meses seguintes, primeiro pela União Soviética, depois também pelos Aliados ocidentais, que estavam interessados numa Alemanha estável, como cerne de uma Europa necessitada de estabilidade. Com a mesma rapidez, o presidente americano Roosevelt abandonou o Plano Morgenthau (setembro de 1944), já anteriormente aprovado, segundo o qual a nação alemã deveria viver da agricultura, sendo dividida num Estado alemão do Norte e outro do Sul.

As diferenças entre as potências vencedoras aumentaram, no entanto, cada vez mais. Por isto, o objetivo inicial da Conferência de Potsdam (de 17 de julho até 2 de agosto de 1945) - a criação de uma ordem européia do pós-guerra - acabou passando ao segundo plano: havia consenso somente na questão da desnazificação, da desmilitarização, da descentralização econômica e da educação dos alemães para a democracia, sendo que permaneceu controversa a interpretação deste conceito. Além disso, os Aliados ocidentais deram seu consentimento, de graves conseqüências, ao plano de expulsar os alemães da região oriental colocada sob a administração polonesa, do nordeste da Prússia, da Hungria e da Tchecoslováquia. Desacatando a exigência ocidental, de proceder de uma maneira humana na execução dessa ordem, em torno de 12 milhões de alemães foram brutalmente expulsos dessas regiões. Estes pagaram pela culpa alemã e sofreram, também, os efeitos do deslocamento da fronteira ocidental da Polônia e da ocupação de Königsberg e da Polônia Oriental pela União Soviética. Um consenso mínimo foi logrado com o acordo de tratar a Alemanha como unidade econômica e, a médio prazo, instaurar administrações centrais para todo o país. Na verdade, essa decisão permaneceu sem conseqüências, pois os diferentes desenvolvimentos nas zonas de ocupação soviética e ocidentais, bem como os regulamentos da questão das reparações excluíam praticamente a possibilidade de tratamento igual.

A questão das reparações tinha um significado central, especialmente para a União Soviética, que sofrera danos graves com a invasão alemã. Moscou exigia que, do total de 20 bilhões de dólares em reparações a ser pago pela Alemanha - sobretudo através da desmontagem de indústrias e de fornecimentos da produção corrente -, 10 bilhões de dólares deveriam ser destinados à URSS. A solução finalmente encontrada determinou a cada potência vencedora a retirada de reparações da própria zona de ocupação, sendo que a URSS receberia adicionalmente 25% dos equipamentos a serem retirados das zonas ocidentais. Esse ajuste contribuiu para a divisão econômica da Alemanha. Segundo os cálculos ocidentais, a Zona de Ocupação Soviética (posteriormente, RDA) pagou na realidade 14 bilhões de dólares em reparações e custos de ocupação, ou seja, mais do que a URSS exigira originalmente de toda a Alemanha.

Conferência de Potsdam, 17 de julho a 2 de agosto de 1945; Atlee (Grã-Bretanha), Truman (EUA) e Stalin (União Soviética)

Com o tratamento dado às reparações de guerra, assim como com a vinculação das quatro zonas a distintos sistemas políticos e econômicos, a Alemanha se tornou o país em que a guerra fria se manifestou com mais intensidade do que em qualquer outra parte do mundo. Isso aconteceu num processo gradativo. Entrementes, começou-se na Alemanha com a estruturação dos partidos políticos e dos órgãos administrativos. Na zona soviética, isso processou-se rápida e energicamente; já em 1945, foram admitidos partidos políticos no território da zona soviética e implantadas várias administrações centrais. Com o auxílio da liderança do Partido Comunista da Alemanha, retornada do exílio em Moscou, a potência de ocupação impôs ao mesmo tempo uma transformação política e social que, sob a denominação de "reviravolta antifascista e democrática", concentrou o controle de todas as funções políticas e sociais decisivas nas mãos dos comunistas alemães e de pessoas de sua confiança (Ulbricht: "Tem de parecer democrático, mas temos que ficar com tudo nas mãos").

Nas três zonas ocidentais, a evolução da vida política processou-se de baixo para cima. No começo, os partidos políticos só eram permitidos a nível local e, depois de se formarem os Estados, a nível estadual; alianças em escala territorial de uma zona inteira só foram feitas mais tarde. Os órgãos administrativos nessa escala territorial só existiam em rudimentos. Mas, como a carência material do país em ruínas só podia ser superada através de um planejamento generoso, não limitado às fronteiras de Estados ou zonas, e como não funcionasse a administração das quatro potências, os EUA e a Grã-Bretanha decidiram, em 1947, unir as suas duas zonas em uma só, no que se referia à economia (Bi-Zona).

As divergências dos sistemas de domínio no Leste e Oeste, bem como o trato muito diferente dado à política de reparações nas diversas zonas bloqueavam a adoção de uma política comum para todo o território no que se referia à fazenda, aos impostos, às matérias-primas e à produção.

Em decorrência disso, as regiões se desenvolveram acentuadamente em direções diferentes. A princípio, a França não estava interessada numa administração econômica mais ampla (Bi-Zona/Tri-Zona). Stalin reivindicava a participação no controle do polígono industrial do Ruhr, mas impedia, ao mesmo tempo, qualquer ingerência na Zona de Ocupação Soviética.

A parte ocidental ficava impotente perante as medidas arbitrárias na parte oriental da Alemanha, como no caso da unificação compulsória do Partido Comunista da Alemanha (KPD) e do Partido Social Democrático da Alemanha (SPD), para formar o Partido Socialista Unitário da Alemanha (SED), em abril de 1946 e o alinhamento compulsório dos demais partidos num bloco partidário liderado pelos comunistas.

Diante da transformação progressiva da Zona de Ocupação Soviética numa ditadura comunista, os britânicos e os americanos começaram a dar maior impulso ao desenvolvimento e unificação de suas próprias zonas. Interessava às potências ocidentais de ocupação aliviar a carência e a miséria nas zonas ocidentais e dar início à criação de um Estado baseado na liberdade e na democracia.

Fonte: http://www.alemanha.org.br - material extraído em 03/07/2003.

1  2 

©2018 Família Dienstmann. Todos os direitos reservados. Projeto & Desenvolvimento - Zooweb