Português
 
 


Literatura e Publicações

O QUADRIÊNIO 1827-1830 DA IMIGRAÇÃO E
COLONIZAÇÃO ALEMÃ NO RIO GRANDE DO SUL
Carlos Henrique Hunsche¹ e Maria Astolfi²     

Uma apresentação

A presente obra é a última parte de uma trilogia que Carlos Henrique Hunsche iniciou com O biênio 1824-1825 e O ano 1826 da imigração e colonização alemã no Rio Grande do Sul, e se detém nos anos 1827 a 1830, em que a Alemanha deixou partir uma parcela de seu excedente humano para um Brasil desconhecido, de além-mar, que precisava de gente para habitar seu solo.

O quadriênio 1827-1830 tem como objetivo - plenamente alcançado pelas obras anteriores - levar aos descendentes dos imigrantes alemães, agora dos anos 1827 a 1830, a identificarem-se com seus antepassados e a percorrerem o caminho inverso, em direção à ancestralidade, até reatarem-se ao genearca-imigrante.

Quando alcançada essa articulação, a experiência mostrou-nos que o interessado parte para uma pesquisa mais profunda, ou seja, a busca daquele elo do qual ele foi desligado pela fatalidade emigratória. Não raramente, reestabelecem-se os vínculos de parentesco Brasil-Alemanha, gerando-se desse lado do Atlântico um sentido mais consciente e mais vigoroso da própria identidade.

O quadriênio 1827-1830 estrutura-se em três partes. A primeira é formada por cinco capítulos e pretende caracterizar o tempo e o espaço em que se moveram os imigrantes; a segunda, que é na verdade a essência da obra, é formada por um só capítulo e compõe-se de verbetes genealógicos, ou seja, um conjunto de informações sobre cada imigrante e seus familiares; a terceira parte apresenta um conjunto de documentos, alguns na íntegra, além da bibliografia e das diversas fontes de pesquisa consultadas.

Os verbetes genealógicos são colocados em ordem alfabética por nome de família. Antecede o nome, um número, colocado entre parênteses, que significa a quantidade de membros de que se compunha a família ao chegar a São Leopoldo; ao nome, segue-se uma numeração ordinal, que é a mesma que Hillebrand conferiu ao imigrante e a cada um dos seus familiares no ato de registro no Livro de Entradas. A esse número, segue-se, entre parênteses, o código genealógico com o qual pode-se situar o nome no mesmo Livro de Entradas. Esse código é formado pelo ano de chegada do imigrante a São Leopoldo, o número da Leva da qual fez parte e o número que cada membro da família ou avulso recebeu dentro de cada Leva.

Assim em relação ao verbete que tomamos como exemplo:

(6) SELBACH, Pedro, nº 776/781 (1829 VIII 37/42): o número seis indica de quantos membros se compunha a família; os ordinais 776 a 781, os números que foram atribuídos aos membros dessa família, chegada no ano 1829, integrando a Leva VIII, dentro da qual os Selbach foram caracterizados por Hillebrand com os números 37 a 42.

Hillebrand, nossa fonte básica, registrou - eliminados alguns erros de soma - 4.838 imigrantes que, em sessenta e uma levas, chegaram à Colônia Alemã de São Leopoldo no septênio 1824-1830.1

Destes, 1.034 foram tratados no primeiro volume da trilogia, O biênio 1824-1825, e 827 em O ano 1826, restando, para esta terceira parte, os 2.977 imigrantes que chegaram em quarenta e duas levas, no quadriênio 1827-1830.

Estas 2.977 pessoas, incluídos os 853 solteiros (ou avulsos), formam 481 grupos familiares, totalizando 1.334 nomes de família -

1 Não estão incluídos neste número de 4.838 os 72 imigrantes que, em novembro de 1824, foram enviados a São João das Missões diretamente de Porto Alegre e que, por isso, não foram registrados por Hillebrand em São Leopoldo e ainda os 54 imigrantes que, em outubro/novembro de 1826, foram enviados a Torres sem serem registrados por Hillebrand. Também não estão incluídos os que se estabeleceram em Porto Alegre e em outras localidades rio-grandenses, particularmente em Santa Maria da Boca do Monte, onde se fixou parte dos integrantes alemães do 28º Batalhão de Caçadores, lá dissolvido em 1829, bem como os membros do 27º Batalhão de Caçadores, desmobilizado em Porto Alegre, dos quais somente uma parte ingressou em São Leopoldo a fim de obter terras.

- ou sobrenomes - que, por sua vez, vão compor os aproximadamente 1.334 verbetes genealógicos do Capítulo VI do Quadriênio.2

Os verbetes, na medida do possível, contêm as seguintes informações sobre os imigrantes - nem sempre completas por falta de dados:

  1. data da chegada à Colônia Alemã de São Leopoldo;
  2. filiação, naturalidade, religião e profissão;
  3. nome do barco transatlântico e data de chegada ao Rio de Janeiro;
  4. nome da embarcação costeira brasileira em que viajaram do Rio de Janeiro para Porto Alegre;
  5. localização em uma das picadas abertas de 1824 a 1830 na Colônia Alemã de São Leopoldo;
  6. casamento e descendência, sempre que possível na seguinte ordem: data da união, local, nome do cônjuge, relação de descendentes completa até os bisnetos, sendo que dos trinetos somente os prenomes, sem mais dados, com o nome completo do cônjuge (condicionado sempre aos dados disponíveis). ;
  7. outras informações encontradas no decorrer da pesquisa, como histórico, profissões, eventos notáveis, locais de residência, etc.. Em relação aos transatlânticos e barcos costeiros em que viajaram os imigrantes da Europa e, depois, do Rio de Janeiro para Porto Alegre, freqüentemente remetemos o leitor aos Capítulos III e IV, que tratam das embarcações que fizeram os transportes. Ex.: (ver cap. III, Olbers) e (ver cap. IV, Dido).

Para complementar as informações dadas num verbete, remetemos o leitor a outro verbete, através da chamada (ver verbete...) ou apresentando, entre parênteses, o código genealógico correspondente ao nome de família contido no verbete sobre o qual se quer chamar a atenção. Ex.: (ver verbete Bier). As fontes que

2 Os valores não são absolutamente corretos, mas aproximados, por existirem nas listas de Hillebrand não só os avulsos registrados como tal, mas, em muitos casos, solteiros registrados em grupos familiares como parentes, adidos ou criados e que merecem por nós um verbete próprio; em outros casos, representantes de um mesmo sobrenome foram reduzidos a um só verbete.

forneceram os dados genealógicos aparecem no final de cada verbete ou no seu contexto, estando, nesse caso, codificadas na abertura do presente capítulo.

Alguns nomes foram tratados de forma mais ampla, resultando verbetes mais volumosos. Dispúnhamos aqui de farta documentação e, às vezes, de genealogias avançadas fornecidas por descendentes estudiosos do seu passado, que obtiveram dados em livros eclesiásticos, arquivos públicos e particulares etc..

Nos verbetes, os sobrenomes aparecem, sempre que possível, na sua escrita original. Corrigimo-los, porém, quando houve erro de transcrição ou deturpação. Quando o erro ocorre em nossas fontes principais (Hillebrand, Wolf, Avisos, etc.) a forma incorreta é posposta ao nome corrigido, entre parênteses: Selbach ( Hillebrand: Sellbach).

Os prenomes dos genearcas-imigrantes e de seus descendentes são ajustados às normas ortográficas vigentes, assim como os de pessoas já falecidas. Inclusive Hillebrand já aportuguesava os prenomes dos colonos em suas listas. Respeitamos, porém, a escrita de alguns que não têm correspondente na língua, como Burghard, Sinclair, Kay, Werner e outros. Os prenomes dos antepassados na Alemanha são sempre conservados na forma original, a fim de facilitar a pesquisa no país de origem.

Os topônimos aparecem, às vezes, seguidos, entre parênteses, pelo nome antigo, às vezes em grafia alemã, por exemplo: São José do Hortênsio (Picada do Cadeia, Portugieserschneis), Dois Irmãos (Baumschneis), Hamburgo Velho (Hamburgerberg), etc. Para facilitar a busca dos nomes em mapas e arquivos estrangeiros, usamos os nomes de países, cidades, regiões e rios da Europa na sua grafia original: Hessen, Baden, Württemberg, Frankfurt, Birkenfeld, Saarbrücken, Trier, Hunsrück, Saarland, Oder, Nahe e outros.

Excetuamos, geralmente, os nomes já consagrados na forma aportuguesada: Baviera, Saxônia, Berlim, Palatinado, Renânia, Alsácia, Reno, Mosela, Elba etc.

As localidades na Alemanha que utilizam no nome a letra alemã "ß", foram grafadas usando esta letra. A substituição por "ss" pode causar alguma confusão, pois há casos de localidades com o mesmo nome, na qual uma usa "ß" e outra "ss".

Na maior parte dos casos pudemos identificar os locais na Europa, baseados na informação que dispunhamos, usando um banco de dados com a identificação de quase 100.000 locais na Alemanha, com coordenadas geográficas e mapas correspondentes. Utilizamos também um software com a lista telefônica atualizada da Alemanha, que também dispunha de mapas, a par da identificação das cidades e sua hierarquia administrativa.

A par disso, eventualmente pode haver a identificação de zonas especiais, não administrativas como Soonwald que abrange parte do Hunsrück ou, ainda, como o Kurpfalz que define uma zona especial nos arredores de Darmstadt, etc.

Pudemos também identificar a maioria das localidades na Silésia e Pomerânia, hoje pertencentes a Polônia, bem como algumas localidades na Alsácia-Lorena, hoje pertencente a França, no Grão Ducado de Luxemburgo e na Boêmia e Morávia, hoje República Tcheca, dando nestes casos os nomes atuais.

Evidentemente que uma informação errada na fonte nos levará a uma identificação errada do local de origem, ocasionando uma alta precisão na identificação e uma baixa exatidão na localização.

Os nomes de navios estrangeiros não são traduzidos; mantêm sempre sua forma original: Wilhelmine, e não Guilhermina; Friedrich Henrich, e não Frederico Henrique, etc.. Exceção fazemos com os navios cujo nome só conhecemos na grafia portuguesa: União, Ativo, Elisa. Deixamos os nomes originais para facilitar a pesquisa de um país para outro.

O Ano 1827-1830 da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul não supõe uma leitura linear. Pode, e é assim que normalmente ocorre, o leitor, partindo do verbete ou dos verbetes de seu interesse ser remetido para os capítulos III e IV a fim de saber algo sobre os navios que realizaram o transporte dos imigrantes ou a outra parte do livro a fim de reconstituir a história que envolve o imigrante dos anos 1827-1830, ou remeter ainda para uma das obras anteriores de Hunsche.

A obra está composta em Times New Roman, corpo 12 nas páginas iniciais e nos capítulos I a V e ainda as partes de arquivos, bibliografia e fontes. O capítulo VI, o mais extenso está composto em corpo 10 com citações e notas de rodapé em corpo 9. A lista de Hillebrand e os índices onomástico e toponímico estão em corpo 8.

Mesmo com esta redução no corpo das letras a obra resultou no avultado número de 1.800 páginas, divididas em 3 tomos aproximadamente iguais e cujo índice de matérias e de ilustrações, com suas respectivas páginas, para dar idéia do conteúdo.

Fonte: INGERGS
 
¹ Sócio efetivo e fundador do Instituto Histórico de São Leopoldo e do Instituto Genealógico do Rio Grande do Sul
² Sócia efetiva e fundadora do Instituto Genealógico do Rio Grande do Sul
 

Literatura e Publicações

©2017 Família Dienstmann. Todos os direitos reservados. Projeto & Desenvolvimento - Zooweb

Warning: Unknown: write failed: Disk quota exceeded (122) in Unknown on line 0

Warning: Unknown: Failed to write session data (files). Please verify that the current setting of session.save_path is correct (/tmp) in Unknown on line 0