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Literatura e Publicações
 
Bacharach e 17º e 18º século

Título original: Bacharach im 17. und 18. Jahrhundert
Friedrich Ludwig Wagner

Os dois séculos estiveram no leste do reino, na marca das guerras européas, não sendo os vales do Reno, bem como a cadeia de montanhas do centro, teatro de grandes combates, mas passagem de marchas e contra marchas.

No ano de 1619, o príncipe eleito Friedrich II, com seu irmão de Simmern, o duque Ludwig Philipp, viajaram para a Boemia, para depois de ser eleito assumir a coroa do rei. Mas o início da guerra de 30 anos (1618-1648) foi um episódio que, após a batalha perdida no "Weissen Berge" (no morro branco) em Praga, deixou Friedrich, desprezado e apelidado de "Winterkönig"(rei do inverno), fugindo para Holanda. Com isso, em 1623, o Imperador, concedeu esse ducado para a casa católica de Wittelsbacher da Baviera.

As conseqüências dessa guerra, não aconteceram só por causas religiosas, mas por poder político. Em primeiro plano vinham o poder e a concorrência dos estados europeus, a predominância dos suecos no Mar Báltico contra a França e os reinos dos Habsburgos. A briga entre protestantes e católicos era uma ambição do Imperador pela unidade no seu reino.

Para a cidade de Bacharach essa guerra teve efeitos catastróficos, pois 8 vezes a cidade foi militarmente ocupada, e 4 vezes saqueada. Em agosto de 1620, vieram da Holanda espanhola, o exército espanhol e vilões. Entraram na Alemanha do leste, sob o comando do general Marques Ambrosius Spinola, que estava ao lado do Imperador católico Aquartelon, em Kreuznach, e ergueram de lá governantes, Dom Wilhelm de Verdugo (1621-1628) e Philippe da Silva (1629-1631), como governadores da região. Com os soldados veio uma peste horrível, "a Peste", que já em 1612 tivera início, mas voltou de novo na região toda. A maior mortandade foi entre 1632 e 1635/36, quando centenas de pessoas morreram. A tomada de Bacharach, pelos espanhóis, ocorreu sem grandes batalhas. Quando apareceu o exército por terra e ainda pelo Reno alguns navios se aproximaram de Bacharach, viu-se a inutilidade de defesa e renderam-se. Conforme o calendário, é dado a data de 20 de setembro ou 4 de outubro de 1620, como datas de entrega. Também o Castelo Pfalz, no Reno Caub e Gertenfels, se renderam após curta resistência. O comandante da dominação foi o conde de Osfrieslando. Um pouco mais tarde, o general conde Heinrich von Berg, que estava no serviço espanhol, fez seu quartel de inverno em Bacharach. Com a entrada do exército espanhol, começou a contra-reforma que, com a expulsão dos pastores da reforma, achou-se no auge. Pastor Inselius foi prisioneiro no castelo de Fürstenberg por muitos anos e, somente em 1632, pode voltar a sua comunidade.

Apesar do terror vivido pela ocupação espanhola, e mesmo tendo que contribuir e pagar impostos para o invasor e para alguns soldados impertinentes, nesse tempo havia certa paz e a administração ficou intacta. A subsistência do exército era financiado para a tropa espanhola, com controle, na alfândega para os navios que viajavam no Reno, principalmente com vinhos e seus derivados. Com a entrada do exército sueco, 1631 e 32, o governo espanhol deixou de existir em Bacharach. Em 1º de janeiro de 1632, apareceu o duque Otto Ludwig com seu exército sueco e exigiu do comandante Paul Bedrangle a entrega da cidade. Este, contudo, negou, dizendo que agradecia os votos de bom ano, mas não entregava o castelo, porque tinha bastante alimentos e não podia se entregar, pois só sabia ser soldado e esperava os suecos.

Após nova investida, não sendo atendidos, resolveram investir e tirar, sem muita dificuldade, com 200 soldados e tomaram a porta "Münzpforte", a Igreja, o cemitério, a escola e a alfândega. 2 dias após tomaram os castelos de Fürstenberg e Stahlberg, onde havia somente 14 soldados, e, no dia 9/1, toda a tropa que estava no castelo Staleck entregou-se, com a licença de sair livre, sem armas. Mais ou menos 10 espanhóis seguiram seu comandante, outros 10 se uniram aos suecos. Toda essa ação não custou muito, 1 sargento e 1 soldado saíram feridos, e um servo morreu. Por curto tempo ficaram 60 soldados sob o comando de um 1º sargento, em Bacharach.

Com a entrada dos suecos, no leste do reino, as coisas mudaram a favor dos protestantes. Em fevereiro de 1632, o príncipe eleito Friedrich V voltou do exílio para a corte de Frankfurt e o conde Ludwig Philipp foi nomeado administrador em Kreuznach. Sua volta, como príncipe eleito ao trono, não iria mais ver. Pois em novembro 1632, morreu em batalha o rei Gustav Adolf, em Lützen, e poucos dias após morria Friedrich V, com 36, anos em Mainz. Seu sucessor foi seu 2º filho Karl Ludwig, sob a tutela do tio Ludwig de Simmern. Em abril 1633, ele assumiu o principado, como herdeiro de Friedrich, porém, com menos soberania. Como a guerra continuou, o governo caiu nas mãos dos suecos e conservaram, sob sua jurisdição, os pontos principais como: Frankenthal, Bacharach, Kaub, Phalzgrafenstein, assim como Mannheim. Também ficou sem contestação a transmissão de bens hereditários, pelos suecos, na zona de Pfalz e tinham que pagar tributo de guerra no valor de 60.000 Reichstaler (moedas de prata). Após a derrota em Nördlingen, em setembro 1634, terminou a soberania sueca. Duque Benhard de Weimar teve que, junto com exércitos franceses e suecos, recuar até o Saar e o Duque Ludwig Philipp, se juntou aos fugitivos. O duque Galas perseguiu com soldados do Imperador. Dali em diante eram os assaltos de ambos os lados, normalmente.

Com os roubos, assaltos, pilhagens, a guerra perdeu seu objetivo principal. Com a destruição veio a fome, a miséria, a destruição das lavouras, e os negócios de comércio terminaram. Em junho 1635, Bacharach foi tomada pelo exército imperial, mas só ficaram até o outono. Com a reconquista, pelas tropas do duque de Weimar, ela foi completamente arrasada. Essa tropa ficou até março de 1640, foi então desalojada pelas tropas da Baviera, mas saíram depois de três dias. Logo entraram as tropas de Weimar e aí a pilhagem foi total. As tropas foram até março de 1640, quando então vieram as tropas da Bavária, ficaram três dias e se retiraram. Em seguida os de Weimar voltaram, mas o êxito foi de pouca duração pois, após 14 dias, tiveram que ceder aos espanhóis. Estes começaram a voltar ao status de 9 anos antes, com o recomeço da agricultura.

As piores e mais pesadas batalhas, pela posse de Bacharach, começaram no outono de 1644. Em setembro, os espanhóis entregaram a cidade quase sem batalha aos franceses, mesmo sabendo que 500 soldados estavam em marcha, perto dali. Meados de outubro os católicos tentaram novamente reaver a cidade. O general Schmettern, o capitão von Nievenheimb, ambos de Ehrenbreitstein, com 250 cavalarianos e 450 soldados, vieram a pé pelo vale do Reno, para Bacharach. Após 2 horas de batalha, depois de Schmettern ter sido ferido mortalmente, os franceses tiveram que recuar até o castelo de Stahleck, onde Nievenheim os bombardeou com armas pesadas por um dia inteiro, mas desistiu de ocupá-lo. Como vinha uma tropa francesa de reforço e como achava que o povo era favorável aos franceses, extorquiu do povo 2.000 taler (moeda de prata) e apesar de ter prometido retirar-se com ordem, deixou os soldados fazerem pilhagem e ainda incendiou alguns lugares da cidade e só então retirou-se.

Até o fim da guerra, Bacharach e Stahleck ficaram nas mãos dos franceses, os quais estavam com as alfândegas, no Reno. "Até a coroa da França, no Unterpfalz", renovou as alfândegas. No ano de 1648, foi feito em Münster e Osnabruck, a paz na Westfalia. Para o leste trouxe de volta a restituição dos principados e ducados. Somente Oberpfalz e Kur ficaram para a Bavária. A religião luterana, reformada, e a católica, estariam, daí em diante em pé de igualdade, sendo que o ano de 1624 era o ano onde a religião local fora dada.

Conforme a pacificação, em julho 1650, os franceses tiveram que sair de Bacharach. A Kurpfalz (o palatinado) nomeou, para o castelo de Stahleck 50 soldados mas, no ano de 1656, por motivos financeiros, o príncipe Karl Ludwig diminuiu esse número. O comandante de Bacharach, Otto von Schönberg, tinha 12 homens para guardar, em grupo de 4 homens, em reversão. Como medida de contenção de despesa, Karl Ludwig, em 1659, transferiu a alfândega de Kaub para Bacharach. Mas após longos protestos do povo de Kaub, foi outra vez aberta a alfândega de lá.

Apesar de finanças curtas, em 1666 o castelo de Stahleck, que em 1644 foi muito danificado, foi restaurado. Talvez nessa época não seria necessária a reforma, pois de 1650 até 1688, houve pura paz. Apesar de alguns conflitos entre os príncipes vizinhos, como a Bavária, por causa do vikariato ou com Kurköln e em função dos 4 vales de Bacharach, as guerras não chegaram.

Uma disputa maior surgiu porque Mainz tinha o direito de depósito e pagamento de tributo, pelos navios que levavam diversas mercadorias. Já antes da guerra dos 30 anos, Mainz sempre queria ter o direito de que as mercadorias deveriam ser transportadas pelos seus navios. Depois de muitas delongas e disputas, o príncipe Karl Ludwig fez uma contra medida, aumentou o tributo dos navios de Mainz nas alfândegas de Kaub e Bacharach. Mainz fez o mesmo com os navios de Bacharach. Então o príncipe subiu mais uma vez o tributo. Isto aconteceu várias vezes. Mainz aceitava, mas daqui a pouco rompia o combinado. Pois outras províncias, como Trier, Frankfurt e algumas cidades ao longo do Reno," ficavam em cima do muro".Teve uma representação, que queira a liberdade de navegar livre de Basel até o mar. Aceitaram, mas Mainz 1657 voltou atrás, com a morte do filho Karl, do principe Karl Ludwig, terminou a linhagem.

Com isso, passou para linhagem católica de Pfalz-Neuburg. Isto abriu o precedente do rei Luiz XIV, de um dos herdeiros, a pleitear o direito sobre as terras do Pfalz, Simmern, Lautern e Sponheim, para com isto colocar a divisa da França até o Reno e conseguir ser o príncipe eleito dessas províncias. Como não conseguiu seu intento, por ato pacífico, começou em 1688 até 1697 uma guerra de conquistas. Já em 1688, conseguiu derrotar Heidelberg, Philippburg, Mainz e depois Bingen, Bacharach, Manheim e Frankenthal. Como não conseguiu se opor à coalizão da Suécia, da Espanha, da Holanda e da Inglaterra, o Imperador, para conseguir uma vitória mais rápida, usou a tática de "queimar a terra", começando incendiar as maiores cidades ou castelos fortificados. De janeiro à maio, queimou Wachenhein Alzey, Ingelheim, Bingen e Bacharach. O castelo de Bacharach foi danificado, a cidade queimada até o muro Fürstenberg e, Stahlberg, completamente arrasada.

Como a alfândega de Bacharach estava no lado direito do Reno, na vila de Lorchhausen, nada lhe aconteceu.

Após muitas lutas de lado a lado, foi feita a paz em Rÿswyk, que negou a pretensão dos franceses para o Pfalz. O novo príncipe eleito Johann Wilhelm, procurou e conseguiu que suas províncias ficassem fora das guerras, no início dos anos 1700. Na guerra da conquista da Espanha, de 1701-1714, onde a França, junto com a Bavária e a coalizão da Inglaterra, Holanda, Portugal e Savóia, o príncipe ficou ao lado dos Habsburgo e conseguiu ficar longe da guerra, mas não conseguiu que as tropas passassem no seu território, o que custou alguns prejuízos, mas não como as guerras do 17º século.

Também depois, no conflito, na guerra na Polônia 1733-1735-1736, por causa da herança do trono, o príncipe Karl Philipp conseguiu que suas províncias não entrassem na guerra, mas não pôde impedir a passagem de tropas de ambos os lados, que causaram bastante prejuízos.

No meio do tempo de paz, Bacharach sofreu um grande incêndio, que destruiu o palácio municipal, em 1739, cujas causas nunca se soube. Ali perderam-se muitos documentos históricos. Começou-se a contruir um novo e já, em 1742, estava pronto. As próximas guerras estavam mais longe e não importunaram os vales do Reno. Na guerra pela herança do trono da Áustria, (1740-1748), e depois, na guerra dos 7 anos (1756-1763), tropas francesas ou austríacas, andavam a fazer pilhagem. Bacharach ficou por mais de 30 anos longe das guerras. Mesmo que, na guerra da Bavária, o governo do Pfalz fosse um dos envolvidos, os vales do Reno nada sofreram. O tema principal nessa época, era "guerrinha" das alfândegas. Cada uma queria cobrar mais tributo, e a de Kaub era, às vezes, anexada a de Bacharach ou vice-versa. A maior reclamação era com a alfândega de Kur Mainz, que sempre queria exigir que todas mercadorias fossem transportadas pelos seus navios. Então, em 1717, foram dadas ordens às demais alfândegas, que cobrassem o dobro dos navios de Mainz. Isto chegou ao ponto de não mais haver navios para transportar cargas.

Houve então contratos feitos em 1730-1749, que o Pfalz e demais, tinham que pagar tributos para Mainz, mas eles receberam algumas concessões. Com isso e, como alternativa, foram construídas estradas ao longo do Reno, ligando Bacharach, Simmern, Kreuznach, Alzey e Frankenthal para fugir da alfândega de Mainz. Como não tinha uma via normal, assim ficou um pouco restrito.

A última década do século 18º, ficou na expectativa da Revolução Francesa. Depois, os aliados contra a França, Áustria, Prússia, Inglaterra, Holanda, Espanha e o reino alemão, conseguiram ganhar a batalha de Verdun e Valmy, e depois, rechaçados, se retiraram e os franceses conquistaram todo lado esquerdo do Reno, os aliados ficaram do lado direito.

Em 22 de outubro 1794, os franceses fizeram barreiras ao longo do Reno e funcionários e soldados da alfândega fugiram e, somente um ano após, voltaram ao seu posto, em Bacharach. Em Kaub, não mais foi cobrado tributo, desde 1794. À noite, alguns navios, sob grande perigo, arriscavam-se ao passar para o lado direito, sem pagar tributo em Kaub, mesmo sendo registrados. Também mercadorias trazidas com perigo, não pagavam nada. Assim ficou até o cessar fogo em 1796, quando então a alfândega de Kaub foi reaberta e a de Bacharach também voltou normalmente a funcionar, mas o tributo era dos franceses.

Em 1797, foi feita a Paz no Campo Formio e a França ficou com o lado esquerdo do Reno. Os príncipes ou duques, seriam indenizados. Como este tratado não fôra ainda assinado pelo Imperador e demais reinados, os empregados das alfândegas se recusaram a dar seu juramento aos franceses e foram despedidos. Também em 1800, a administração francesa exigiu o tributo de Kaub. O reconhecimento da conquista francesa foi só em 1801, na paz de Luneville, e referendou a paz de Campo Formio. Foram todas as províncias controladas pelos franceses e os moradores considerados cidadãos franceses. Os príncipes e demais governantes foram indenizados pela perda de seus territórios e seus súditos. Mesmo as províncias eclesiásticas, com exceção de Mainz foram dissolvidas .

Bremen, Lübleck, Hamburg, Nürnberg e Ausburg continuaram a ser cidades-estado. A Pfalz, com seu príncipe eleito, foi absolvida. As províncias, como Heidelberg e Mannheim, foram absolvidas por Baden, Bayern, Hessen, Prússia, Nassau e Kaub, para França, junto com Bacharach. Até a guerra da reconquista feita por Blücker, que atravessou o Reno em Kaub, na noite de Ano Novo, 1813-14, onde começou a criar de novo a Alemanha, do lado esquerdo do Reno. Com a total reforma, em 1803, todas as alfândegas foram retiradas, somente a de Kaub ficou com controle geral sobre todos os navios. O tributo não mais era dos "donos da terra", mas sim dos estados, ao lado do Reno. Isto foi uma grande vitória e benefício também para os navios. Essa situação permaneceu até 1867.

Livro:
BACHARACH - und die Geschichte de Viertälerorte
Bacharach, Steeg, Diebach und Manubach
Friedrich-Ludwig Wagner - 1999
ISBN 3-00-000994-9
Tradução livre - Wanda Dalla Barba
Páginas: 91-97
 
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