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Literatura e Publicações
 
As histórias das famílias nobres dos 4 vales de Bacharach

Título original: Die adligen Geschlechter des Viertälergebietes von Bacharach
Friedrich Ludwig Wagner

Nos documentos antigos, do 13º ao 15º século, encontram-se algumas anotações sobre nomes de nobres, menos registrados porém, nos 4 vales de Bacharach. Muitos desapareceram, não se sabendo os motivos. Essa pequena região, com histórias tão ricas, igual a outras histórias de nobres do médio Reno, como Rüdesheim, Lorch e Oberlahnstein, que foram importantes na época.

É interessante conhecer um pouco destas famílias de menor nobreza, nos "vales livres"ou "vilas", como Steg, Diebach e Manubach e a cidade de Bacharach, que na época encontravam-se sob o controle do arcebispo de Köln, que receberam este território de presente do reino da época. Isto nos mostra a construção dos castelos Staleck, Stahlberg e Fürstenberg. O cardeal da época nomeou alguns "Ministerialen", esses receberam títulos de guardiões dos castelos ou das vilas. Assim começaram certas dinastias, como os condes de Staleck e os condes de Höchstadt. Com Hermann começa o período dos condes de Bacharach, que receberam mais honrarias e terras, pois uma irmã dele casou-se com o rei Konrad, que era de uma família Pfalz e, através destes, desenvolveu-se a província, junto com os vales e vilas. Bacharach foi residência oficial até 1225, quando o conde de Wittelbach assumiu e fez sua residência em Heidelberg. Porém, o castelo de Staleck continuou a ser sua residência de passagem. A maioria destes nobres eram funcionários graduados, nas cidades e vilas, alguns de seus nomes eram em latim.

4 Vales - Diebach (agora Oberdiebach e Rheindiebach) é o lugar e tronco inicial da família Fuchs (em latin Vois ou Vulvus), e conforme onde residiam, usavam junto o nome do lugar, "Fuchs de Diebach", "Fuchs de Bacharach" ou "Fuchs de Manubach". A primeira vez onde há uma referência é em 1235 - Didericus Vois - advogado de Trechtinhausen. Também sobre a família Brenner von Stein, que recebeu através de parentesco do conde de Münster e depois instalou-se em terras adquiridas ou presenteadas, nos vales em Diebach.

Essas famílias, Fuchs e Brenner, continuam sendo funcionários até os anos de 1400. Mas em 1428, na ação de canonização "St Werner", não encontrou-se mais o nome Fuchs.

Os Wilderich e Ring de Diebach

O nome da família Wilderich encontra-se registrado em 1289, num documento onde consta Wildericus de Diebach. Em 1365, encontra-se o "cavaleiro nobre" Herbord Wilderich como funcionário da Justiça de Bacharach. Seu filho, Peter Wilderich de Diepach, era, de 1398-1400, guarda no castelo de Kaub. Essa família, em 1446, tinha um "brasão", que fazia referência também à família Ring.

Os Dietzmann de Mannenbach

Da pequena vila de Manubach, vem a família Dietzmann, cuja história conta-se dos séculos 13 até 15. Em fins do século 13 aparece o nome do "cavaleiro nobre", Heinrich Dietzmann de Mannenbach. Em 1302 aparecem, no convento, os nomes dos irmãos Crafft e Dieter, pertencentes a essa mesma família, vindos de Manubach.

Em 1345, "Herden Dietzmann" vendeu sua propriedade para o senhor Johann von Stein. Presume-se que o fato foi datado em 1297 e que era morador de Trier e funcionário ministerial Philipp de Mannenbach e de Sponheim, proprietário de um feudo e de um castelo. No castelo Dill, no Hunsrück, em 1287, era "cavaleiro" Sibodo de Mannenbach, era da família Dietzmann. Em 1354, encontramos Cuno Dietzmann de Mannenbach, como "dono ou guarda" do castelo de Fürstenberg, em Diebach, que foi funcionário, depois, em Simmern (burgamestre). Seu filho, com nome igual, tinha um feudo e era proprietário de Fürstenberg. Também seu irmão Arnold, com pessoas de Sponheim tinham feudos. Desde 1417 esses irmãos eram conhecidos como "os Dietzmann de Richtenstein".

No processo de canonização de St. Werner, 1428, encontram-se os registros dos dois irmãos: Arnoldus Dietzmann, "cavaleiro", 60 anos, jurado do santo "Send", conselheiro nos 12 conselheiros de cavaleiros dos 4 Vales, morador de Diebach. Presume-se que esta família morreu no séc.15, pois não se teve mais notícias da mesma.

A família Stege

As famílias menos nobres (niederen Adels), situadas no Vale das 4 comunidades ou vilas, usaram o nome "von Stege", o qual pertencia a uma tradicional família existente. O seu brasão já aparece em 1258, onde, num documento de cavaleiro, aparece a doação para o convento de Eberbach, com assinatura de "Hermann von Stege". Nos documentos do castelo e da cidade Kaub, em 1277, havia um Dudo von Stegen. Ele também aparece como juiz do Pfalz, Ludwig II e duque de Nassau em 1287. Também os irmãos "Rulmanus e Anzilmanus de Steg" servem de juízes entre o duque Pfalz e o cavaleiro Werner von Milwalt. Houve briga entre os dois, que, provavelmente, pertenciam à família von Stege.

Outro nome citado, em 1323-1331, é do "cavaleiro" Craft von Stege, funcionário de Bacharach. Um nome que também aparece é do escudeiro Johann von Stege, funcionário do castelo de Schmidtburg no Hünsrück.Um ramo desta família é citado em vários documentos de doação e assinaturas de contratos sobre castelos, tanto em Steeg, Stahlberg e junto aos vinhedos, na comarca de Steeg.

Já na época de 1448-1458, aparece o cavaleiro Heinrich com Steg. Depois de sua morte, apareceu seu filho, com o mesmo nome. Em 1473, aparece o padrasto fidalgo, Jorg Flach de Schwartzenberg, como tutor de Adam von Steg em 1473 e depois como tutor de Hermann von Steg e de seu primo Adam von Steg. Para Adam, as últimas anotações são de 1490.

Fudersack von Steg

A Família Fudersack seria Hafersack (saco de aveia). Este nome vem dos "Ladrões cavaleiros", que recordam Brotsack (saco de pão) e Schnapssack (saco de cachaça). Até hoje existe, na comarca, o nome de uma via "Futtersack", embora não exista mais ninguém com este nome por lá.

Em 1248 existe, no convento de Altenberg, um documento sobre "Henricus dictus Vudersac de Stegin", e também num documento de Eberbach, de 1255, os irmãos Eberhard e Emmerich, aparecem.

Em 1320, aparece "Henricus de vodersack miles de Steyge", como feudal. No ano de 1398, o duque do Pfalz Ruprecht III, vendeu para Heinrich Futersack von Stege, a vila de Wildebach, em Rheinböllen, no Hunsrück e, a justiça dali, o décimo de Rinbullen e 15 Schilling Heller zu Dichtelbach, "wann sin vatter kürzlich abgangen ist". O mesmo era contado, em 1390, por um dos vasalos do duque, que tinha 1/2 % de Hüffelsheim e de Nosbach, junto com os herdeiros Kindelins.

No processo sobre St Werner, em 1428, encontra-se a testemunha Henricus Fudesack, cavaleiro de Steeg, acima de 50 anos, membro do conselho dos 4 Vales e, igualmente sua esposa Sophia von Hattstein, da Diocese de Mainz, com 40 anos. Ambos foram ouvidos como testemunhas. Como terceiro membro desta família, encontrou-se o padre Johannes Fudersack de Bacharach. Em 1430, aparece Emmerich Fudersack, como proprietário de um feudo, na província de Köln (Colônia) na Borge em Stege. Após, esse nome não aparece mais em documentos.

Os Breitscheid de Stege

A 3º maior família nobre é a de Breitscheid, a qual usa o nome de Steeg, de um pequeno povoado chamado Breitscheid. O nome aparece nos 4 Vales, no processo de St Werner, no qual a testemunha de 65 anos, Gutta Schieszer, no ano de 1428, contou o que ouviu do falecido velho Johannes Schuring de Steeg: - " que o menino Wener, para quem era feito o processo de canonização, trabalhou, no ano de 1287, nas vinhas do cavaleiro Breitscheid, o velho".

No ano 1336, foram Crafft Breitscheid, filho do velho "Schultkeissen" de Steeg e seu cunhado Frank de Lorchhausen, que arrendaram uma propriedade para Catharina Otten. No livro de registro do juizado em 1384, consta o escudeiro Emmerich Breitscheid von Stege, seu filho Henne e seu irmão Arnold. Emmerich era Burgomestre de Reichenstein, em 1417, também foi chamado como Emmerich Breitscheid von Richensteyn . Tem um brasão com uma viga, 2 balas e 1 estrela. Gerhard Breitscheid, em 1377, recebeu através de Köln, feudos e era, em 1427, membro do conselho de cavaleiros dos 4 Vales. Em 1427, foi registrado por Metze von Liechtenstein de Bohel.. Os documentos demonstram que a família desapareceu no século 15.

Outras nobres famílias nos 4 Vales

Entre os que já foram nomeados nobres dos 4 Vales ainda houve outros que vieram a se instalar, ou por parentesco ou casamentos. Entre eles, os "Raubsack" (saco do ladrão), que em Diebach, já em 1258, com Wimmarus Robesach, da província do Mainz, Vila Heimbach. Do Pfalz, da família Hunne, um ramo chegou a Bacharach e, desde 1277, até o século 15, encontram-se documentos. Sempre houve jurados no juizado de Bacharach.

Para Diebach também veio um ramo, do Mosel. Dali veio a família Leyen e aí instalou-se. Eles usavam a Patronat "Neuen" (os novos) ou "unserer Lieben Frausen Kirche", em Oberdiebach, no Kurpfalz, em Lehen. Em 1428 encontramos, no processo St. Werner, um Bombsz von Leyen, cavaleiro von Diebach, que ainda aparece, em 1442. Além de outros "Ministerialen", apareceu a família Grosse, que vem de Bickenbach, e seus descendentes, chamados Grosse von Bickenbach, mais tarde Grosse von Bacharach.

Durante todo um século, esteve, um ramo da família Wolf von Sponheim, em nova moradia, em "Wolf von Sponheim, chamada Bacharach". Eram oficialmente funcionários e ocuparam muitos cargos de Burgomestres e outras profissões administrativas em Bacharach.

Em 1558, encontrou-se, na St. Peterkirche (Igreja de S. Pedro), o nome do falecido JohAnn Philipp von Sponheim, numa pedra comemorativa, em sua homenagem.

Outros nobres foram os Knebel von Katzenelbagen. Eles eram originários do castelo de Katzenelbogen e, somente na metade do 14º século, com a administração do Pfalzbem sucedida, tornaram-se conhecidos. Em 1393 o príncipe eleito Ruprecht II deu a seus irmãos Wernher e Gerhard Knebel um feudo e uma casa, situando-se essa fora alfândega. Outrosim, eles possuem muitas vinhas nos 4 Vales, bem como a propriedade Steeger, na comarca chamada Sursbronne. Muitos são os lugares e as estradas com o nome Knebel, pois eles eram donos de castelos nos 4 Vales, em Kaub. Quando em 1664, Johann Dietrich Knebel faleceu, sem ter herdeiros masculinos, as todas as propriedades, inclusive o castelo de Stahlberg voltou a pertencer a Kurpfal. Com isso desapareceu o ramo dos Knebel em Bacharach.

Os cavaleiros dos 4 Vales e seu conselho

As famílias nobres nos séculos 13 e 14, no Superior e Médio Reno, tiveram bastante expressão. Também nas pequenas cidades, tinham seus conselhos de cavaleiros, que às vezes se uniam com os demais. Os conselhos eram formados por cavaleiros, jurados, funcionários e comunidade. Até os cavaleiros tinham voz ativa, os conselhos eram formados da seguinte maneira: 24 eram nobres, a outra metade, funcionários e os demais, cidadãos escolhidos.

Em 1418, na escolha do novo conselho, estiveram presentes: Johann von Stein, Brenner von Stromburg, Rielwin von Mielen, Werner Knebel, Johann Metzenhausen, Wilhelm Knebel, Johann von Schmittburg, Dietmar von Riffenberg, Otto Fessten von Schoenberg, Heinrich Futtersack von Stege, Arnold Dietzmann e Gerhard Breitscheid. Só os últimos três pertencem aos cavaleiros dos 4 Vales. Podíamos juntar a família Knebel von Katzenelbogen, por sua permanência nos Vales. Já em 1493 não havia mais nenhum dos cavaleiros, além de Johann Knebel, morando por lá. Assim começou o término do conselho de cavaleiros. A partir do reinado de Friedrich II e Otto Heinrich, de 1556-59, e depois príncipe eleito Friedrich III 1559-1576, começou a desaparecer, e quando chamados, não eram mais encontrados. Inclusive os cargos como os de funcionários ou jurados, passaram para outros. O lugar onde se encontravam, em Bacharach, era a prefeitura com sua torre, que, infelizmente, em 1730, incendiou, por descuido dos vizinhos, e todos os documentos, junto com os quadros, nas paredes, dos conselheiros, cavaleiros, etc, foram perdidos.

Livro:
BACHARACH - und die Geschichte de Viertälerorte
Bacharach, Steeg, Diebach und Manubach
Friedrich-Ludwig Wagner - 1999
ISBN 3-00-000994-9
Tradução livre - Wanda Dalla Barba
Páginas: 99-106
 
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