Português
 
 


Literatura e Publicações
 
A cidade de Bacharach, no tempo da Revolução Francesa

Título original: Die Stadt Bacharach zur Zeit der Französischen Revoluttion
Werner Seeling

Desde o tempo de Karl Ludwig, a Pfalz não tinha mais a benção de uma administração correta, por isso a situação não era das melhores. Enquanto isso, na França, começou um movimento popular, que logo levou as estruturas governamentais até o caos. Adivinhou-se que as idéias não ficariam restritas à França, mas sim, iriam transpor as linhas de divisas dos países vizinhos. O início foi o roubo dos tributos das alfândegas de Kaub e Bacharach, realizados por franceses "Moradeurs". Falava-se de 20 a 30 franceses que com navio, subiam e desciam o Reno para ver e conhecer o melhor momento para o roubo. Albertino, que a si mesmo deu o título de conselheiro do Kurpfalz, disse que em Kaub tinha soldados bem treinados e armados, mas os de Bacharach eram poucos, e guardas sem expressão. Mas depois foi dada uma ordem do governo de Maunheim, que Simmern, Bacharach, Kaub, através de funcionários superiores levariam o dinheiro, a cada 4 semanas a Maunheim, acompanhados de cavalarianos.

Em 1792, os socorros dados aos Emigrantes na Alemanha, foram considerados, em Paris, como afronta (Emigrantes, eram tanto alemães ou de outra nação, que se deslocavam da zona ocupada pela França.). Por isso o príncipe eleitor de Mainz, pensava que só uma guerra daria um fim na ocupação da França e, com isso, teriam paz e sossego. Assim, em 20/04/1792, a França declarou guerra à Áustria, à Prússia e seus aliados, com Kurtrier e Kurmainz. Na França fizeram censuras ao rei, que a declaração de guerra abriria a invasão do inimigo. Enquanto isso, as tropas levaram, de roldão, os soldados franceses até Verdun. Então foi derrubada a monarquia na França e, com ela, todas as atrocidades contra a nobreza. Mas acendeu o fervor pela França e todos se lançaram contra a invasão e começaram a rechaçar os alemães, até o outro lado do Reno. Portanto, apesar do Pfalz ter ficado neutro, ficou mais difícil pois, com a nova constituição na França, onde declaravam que iam viver em paz com seus vizinhos, continuou administrando quase todo o lado esquerdo. Em 2 de setembro de 1792, o conselheiro geral do Kurpfalz escreveu uma carta para Bacharach, explicando que não podia intervir, pois com o novo regime francês não se podia fazer concessões, nem querer mudar a situação. Chamou os novos administradores franceses de bandidos e disse que não respeitavam ninguém, e a gentalha que vagava por aí, de quem não se podia esperar nada mais do que roubo e pilhagem. Em 27/06/1792, um batalhão húngaro, boêmios e outros de Hohelohe, uns 1100 homens chegaram à Bacharach e Kawb, para pernoitar. Ambos continuaram por água até Koblenz, essas tropas pagaram seus alimentos e tiveram r passou por lá com 6 navios, indo a Frankfurt.

Na mesma época havia notícias de que o tempo não estava bom para os vinhedos, mas para o outono e que a ceifa seria boa em quantidade e qualidade. As frutas e os cereais estavam bons, mas por causa dos emigrantes franceses, ou os de Hessen, e as tropas que estão por aqui, a aveia, que valia 1e 1/2 Malter, ou seja, 6 florins e, um Ientner de feno, 2 florins (dinheiro da época). Era interessante saber a ração das pessoas da época, pois o alimento era tabelado, mas, na mesma época, deram o monopólio de novo para a "FabrikLang e Companie", para fabricar "Cölnische grüne Ölseife" (o sabão verde de óleo da Colônia) e isto sem taxas e impostos, e somente pequeno tributo na alfândega. Na época o governo francês, sob Darton e Carnot, exigia cuidar e guardar as fronteiras e, com isso, havia carreiras em tudo ( não havia consciência nacional alemã).

Em outubro, o General Custine, de Landau, fez um ataque de surpresa sobre Speyer, Worms e Mainz, mas não encontrou resistência. O príncipe eleito de Mainz, com toda sua corte e funcionários, fugiram para o interior da Alemanha, também os de Trier e Köhr. Em 21 de outubro caiu Mainz, que era a fortaleza mais forte, e era por assim dizer a chave militar do reino, e caiu nas mãos dos franceses.

Para Bacharach, teve conseqüências: 1º não passavam mais emigrantes, pois com a vinda das tropas de custines, chegaram até Bacharach. Depois, o general As Farelle de Odre ordenou que frutas, trigo, virtuales (?), não podiam ir de Bacharach ou Kaub adiante, pois pão, cerveja e cachaça, não podiam ir a St. Goar ou Koblenz. Esse bloqueio prejudicava Bacharach, pois iria fechar a cervejaria e a fábrica de polvilho. Como iria chegar mais um batalhão à cidade, ficariam sem mantimentos e não conseguiriam pôr um bloqueio no Reno. Exigiam que toda mercadoria era para próprio uso. A maior preocupação era que os soldados seriam aquartelados em Bacharach, pois o inverno estava à porta. Mas felizmente isto não aconteceu e, com isso, Bacharach ficou a salvo.

Em 1793, na primavera, deu-se uma ofensiva dos aliados contra os franceses. Surgiu o problema para o governo de Maunheim , como a província, que era neutra, podia ou não vender mercadorias, para quem e como. Foi liberado e podia vender para ambos exércitos. Mas os franceses outra vez fizeram "piquetes" ("barreiras") contra os navios. Para Bacharach foi dado o conselho: "Cada cidadão usaria sua sabedoria para vender sua mercadoria para exército, pessoa ou para quem necessitasse".

Uma grandepromessa, neste tempo, era a cachaça, frutas ou batatas. Era, ao mesmo tempo, mercadoria considerada nociva para a época. No ano de 1792, a safra de vinho foi 2/3 menor do que o esperado. Todos tiveram déficit, tanto Bacharach, Steeg, Diebach e Manubach.

O general Custine enviou um pedido de desculpas para o governo do Kurpfalz, mas em fevereiro, começaram a exigir as contribuições, tanto em dinheiro, como em mercadorias. Também receberam a comunicação de que 3.000 homens deveriam apresentar-se para lutar (existe essa cópia). Todas as notícias tinham que ser transmitidas ao governo, pelo correio, pois o não cumprimento dessa ordem daria uma multa de 50 Reichstaler.

Uma missão com o duque de Braunschweig, um general austríaco e alguns oficiais da Prússia, inspecionaram a região e depois Kaub. Foram de navio até St. Goar, mas voltaram, à noite, para Frankfurt. Queriam ver por onde poderiam atravessar o Reno. Pela ponte de Mauneheim o príncipe eleito não concedeu, com medo dos 700 franceses, que estavam perto.

Depois vieram outros 100, tanto cavaleiros, como soldados, tanto prussianos, como de Hessen. Ficaram aquartelados, mas não pagaram nada. Eram tropas que foram observar o Hunsrück. Em março, a vanguarda do príncipe de Hohenlohe, junto com as tropas de Szekuli, Romberg e Köhler, ficaram entre Simmern e Bacharch. A parte maior do exército prussiano atravessou o Reno em 26 e 27 de março e recapturaram Mainz. Com isso, reconquistaram o lado esquerdo do Reno, por diversos motivos: ajudando o exército da Holanda, as tropas de Trier se uniam. Os de Wumser iriam cortar a saída dos franceses, porque Bacharach tinha o lado direito dominado, os prussianos estavam aquartelados perto de Coblenz e a ponte podia ser transportada. Assim conseguiriam expulsar os franceses. Houve várias e sérias lutas com feridos, mortos e presos de todos os lados. O quartel general foi de Bacharach para Bingen, também a ponte foi levada. Os custos foram de 905 gulden (prata) e 20 Kreutzer para o exército. Teve novas notas da parte do governo, até o corte de amoreira foi proibida, devido à fabricação de seda.

Deveriam ser denunciados homens jovens, que só eram notívagos (?), beberrões ou jogadores de cartas, mas úteis ao exército. Esmolar era proibido e soldados, em licença, deviam ser observados. Os homens de uniformes e os que usavam roupa clerical deviam ser observados. Em 1794 a coalizão continuou e fizeram um tratado por onde começar o ataque.

Não só os problemas com o exército, mas também os administrativos, davam dor de cabeça. O governo já não recebia os documentos e tributos, pois muitos funcionários tinham sido despedidos. Outros fugiram, tornaram-se emigrantes em outras províncias e pior, os franceses, apareciam novamente. Até para os vinhateiros foi dado o aviso: em caso de perigo, levar os melhores vinhos para St. Goar, destinados ao príncipe eleito, com o menor custo possível. Em janeiro foram chamados todos à prefeitura, e foi dada a ordem de que cada um se armasse, devendo ser usadas até as armas da Sociedade de Tiro. Mas essa ordem não deu resultado, pois diziam: nós somos cidadãos e não soldados. Não temos nenhum canhão, pois um deles matará 1000 de nós, e se saírmos de nossas casas, os retardatários dos exércitos entrarão, abusarão e matarão nossas mulheres e crianças.

Após isso, os prussianos instalaram sua padaria em Bacharach, enquanto a tropa estava à distância de dois dias e os franceses estavam voltando. O príncipe eleito foi ameaçado pelos franceses que iriam começar a queimar as cidades, se não lhes dessem comida. Mas isso felizmente não aconteceu, pois em agosto de 1794 construíram de novo a ponte e também no rio havia vários navios com trigo, aveia e outras mercadorias, que enviaram ao exército. A ponte foi demolida e levada ao outro lado, mas em outubro voltaram os franceses e exigiram 700 pães e 400 pfund (1/2 kg) de peixes. Difícil tornou-se depois, pois os franceses exigiram diariamente 400 Pfund de carne e 800 Pfund de pão. Por isso, em 20 de outubro, os franceses foram rechaçados.

As populações estavam começando a cansar. As custas do ano, para a administração foram de 595,50 Gulden (prata).

As guerras e lutas continuaram até dezembro, só pararam no inverno, pois até o Reno congelou, em parte.

Somente em agosto de 1795 a Alemanha resolveu atacar os franceses novamente, havendo paz temporária. Aí começou o pior, pois vinha o exército alemão e depois, o francês. Começou a faltar tudo, até a colheita falhara, nesse ano.

Em dezembro chegou a ponto dos austríacos até roubarem roupa das pessoas. Em fins de dezembro os franceses pediram trégua. Aceitaram até tempo indeterminado. Em 1796 foi tudo igual, os pobres cidadãos de Bacharach já não sabiam mais o que pensar e a quem se dirigir para saírem dessa guerra.

Na primavera Bonaparte ganha uma batalha atrás da outra na Itália e, com isso, os franceses ficam cada vez mais entusiasmados e se fortificam mais e mais. Usavam os seus direitos até de escolher, por meio de votos, os dirigentes das cidades. Em Bacharach, também o Juiz da Justiça foi eleito por 43 votos; o 1º conselheiro, cidadão Almach, com 58 votos; o 2º conselheiro, cidadão Kügelgen, com 23 votos; e, o secretário da justiça, cidadão Schreiber, com 31 votos.

Em 7 de agosto 1796 o rei da Prússia entregou para os franceses todo o lado esquerdo do Reno. Depois o Duque Karl, também perdeu a batalha e deixou para os franceses ao lado direito do Reno, Düsseldorf, Neuwied e, no sul, Kehl. O príncipe eleito, Karl Theodor, pediu a Moreau uma trégua, perdendo o Kurpfalz. Em Bacharach, até os antigos funcionários podiam voltar a seus lugares, se quisessem.

Livro:
BACHARACH - und die Geschichte de Viertälerorte
Bacharach, Steeg, Diebach und Manubach
Friedrich-Ludwig Wagner - 1999
ISBN 3-00-000994-9
Tradução livre - Wanda Dalla Barba
Páginas: 157-172
 
Página Anterior Capa  1  2  3  4  5  6 Próxima Página

Literatura e Publicações

©2019 Família Dienstmann. Todos os direitos reservados. Projeto & Desenvolvimento - Zooweb