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Pressão social, no tempo da fome de 1816-17

Título original: Soziale Spannungen zur Zeit der Hungersnot von 1816/17
Werner Weidmann

Os conflitos sociais sempre estão presentes em época de guerra e, principalmente, em anos de fome, miséria e alta dos preços. Isto também aconteceu com Bacharach e nos 4 Vales. Aí surge, com mais força, a diferença entre ricos e pobres. Usamos Bacharach como exemplo, nos terríveis anos de fome de 1816-1817.

É uma observação óbvia, que em tempos de fome, os pobres ficam ainda mais pobres e os ricos mais ricos. Isto, novamente se confirmou no Reno Superior, assim como no Médio Reno e, especialmente, em Bacharach.

Com a destruição provocada pela guerra dos 30 anos e depois, pelas guerras por heranças, onde houve a destruição de Bacharach e também dos 4 Vales, sua prosperidade foi duramente atingida. Permaneceram em atividade poucos produtores vinhateiros, que em épocas adversas só tinham o necessário para sobreviver. Diziam os mais velhos que nunca houve um tempo de fome como nos anos de 1816-17. Os vinhateiros mais pobres, que tinham as casas cobertas com palha, tiveram enormes prejuízos com os temporais que provocavam incêndios nessa palha, no verão de 1816. Assim, também suas vinhas foram muito atingidas, o que fez com que esses homens perdessem tudo. Por causa das constantes chuvas, tanto os agricultores como os vinhateiros, não conseguiam colher quase nada. e também não conseguiam trabalhar para os grandes agricultores ou vinhateiros. Da mesma forma os diaristas foram prejudicados, pois não tinham trabalho e nem qualquer fonte de renda. Era geral a falta de trigo e de outros cereais. Em conseqüência faltava pão, que somente uma vez por semana conseguiam comer. Paralelamente surgiam suspeitas de lucros exagerados com mercadorias que eram escondidas , o que provocava a alta de preços. Bacharach e os 4 Vales, que se encontram entre Kreusnach e St Goar, foram os que sofreram mais. Mesmo com a falta do cereal, desviavam-no para fazer cachaça. Em julho de 1816, ordenou-se dar ajuda às pessoas necessitadas, com a abertura dos armazéns do rei. Porém, mesmo assim, os gananciosos continuaram a especular. Foi pedido que fossem fechados os locais onde era feita a cachaça, mas a determinação não foi cumprida. Nem as batatas escaparam. Na época, apareceu a frase "os judeus do cereal e da batata enriqueciam e que os pobres podiam morrer". Os pequenos vinhateiros já vinham há cinco anos com prejuízos. Devido às chuvas intensas, as estradas ficaram intransitáveis, até as terras produtivas estavam um lamaçal. Além disso tudo, estava também começando a faltar lenha, em novembro de 1816. A Bavária tinha postos onde não deixavam passar nenhuma mercadoria; eles só ajudavam seus súditos perto do Reno, no Pfalz. Para aqueles poucos que tinham condições financeiras havia a possibilidade de comprar alimentos. Foi dada mais uma ordem para que ajudassem os mais pobres. Também permitiu-se abater mais lenha das matas e, com a venda desta, podia-se comprar alimentos para os mais necessitados. Mas, em Janeiro de 1817, novamente correu a notícia da armazenagem ilegal de cereais para forçar um preço mais alto. Cada vez mais se ouvia os clamores contra as especulações, a falta de misericórdia, a crueldade dos mercadores e também a alta dos tributos.

Em junho de 1817, a comarca de Koblenz passou a comprar cereais da zona do mar Báltico, os quais então começaram a distribuir, mas com o cuidado de os mais pobres também serem beneficiados. Havia até guarda armada pois, em Boppard, aconteceu que queriam roubar para revender, por isso nos 4 Vales tinha guarda até à noite. Enquanto os pequenos agricultores, junto com os mais pobres, ainda sofriam, em Julho-1817, os navegadores e carroceiros estavam em pleno trabalho. As queixas continuavam, pois eles viram que somente em último caso os ricos ajudavam os pobres. Com novas colheitas, a pior fome passou, mas a crise na agricultura se estendeu por toda a primeira metade do século e com ela começou a Emigração com todo vigor. Mais uma época difícil foi a de 1840 a 1850. Mas nenhum desses anos foi tão difícil quanto os de 1816-17.

Livro:
BACHARACH - und die Geschichte de Viertälerorte
Bacharach, Steeg, Diebach und Manubach
Friedrich-Ludwig Wagner - 1999
ISBN 3-00-000994-9
Tradução livre - Wanda Dalla Barba
Páginas: 99-106
 
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